Pré-sal: grande aliado da diversidade brasileira

Em artigo publicado no Jornal do Comércio, o vice-presidente do SENGE-RS Fermin Perez Camison defende proposta apresentada por ele na 66ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, organizada pelo Sistema Confea/CREAs em Manaus.

Por Fermin Perez Camison
Vice-presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio Grande do Sul SENGE-RS

A diversidade brasileira, que pode gerar tecnologias inovadoras para a sua própria utilização sustentável, tem agora uma forte possibilidade de ganhar um significativo aliado: a mobilização social para implementação, através de projeto de lei federal, de um percentual dos recursos obtidos com a utilização do petróleo e gás do pré-sal que garanta o financiamento de pesquisas que mapeiem e explorem toda a sua potencialidade.

Esta proposta foi por nós apresentada na 66ª Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, organizada pelo Sistema Confea/CREAs em Manaus, e consta da “Carta de Manaus”, documento oficial do Fórum de Inovação Tecnológica/Estado da Arte das Profissões, realizado pelas Câmaras Especializadas em Engenharia Química.

O fato é que, reconhecidamente, os investimentos em tecnologia e pesquisa que o País vem realizando nos últimos anos já nos trouxe a riqueza da descoberta do pré-sal. A correta destinação de parte dos recursos advindos dessa riqueza em projetos de prospecção e mapeamento genômico da diversidade brasileira tornará o Brasil líder no conhecimento e utilização sustentável de nossa diversidade, contribuindo significativamente para suprir as necessidades nacionais e mundiais em termos de produtos e tecnologias sustentáveis.

Defendemos este ponto de vista porque, se 20% das espécies do planeta fazem parte da diversidade de nosso País, também é certo que hoje o conhecimento e a utilização destas espécies estão na conta do passivo nacional. Para invertermos esse quadro, integrando o conhecer e o saber usar esta diversidade na conta do ativo do País, é preciso investimentos em tecnologia e formação de quadros profissionais capazes e qualificados – o que poderia ser suprido através de parte dos recursos advindos da exploração do pré-sal. Da mesma forma, a descarbonificação da matriz energética – hoje uma necessidade mundial – poderia avançar significativamente com as pesquisas financiadas por estes recursos, uma grande contribuição brasileira ao mundo, na busca de futuras alternativas energéticas.

Por isso é fundamental que a sociedade pressione as instâncias legislativas, especialmente o Congresso Nacional, para que haja uma firme e clara legislação nesse sentido, lembrando também que a geração de novas tecnologias focadas na utilização sustentável de nossa diversidade exigirá a formação de mais profissionais qualificados, incentivando a independência científico-tecnológica brasileira. Tudo isso se traduzirá, ao longo do tempo, em inegável reconhecimento internacional e múltiplas fontes de recursos para o nosso País, gerando um ciclo autossustentável de desenvolvimento e qualidade de vida.

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