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CAPACIDADE DE GERAÇÃO SOLAR DEVE DOBRAR EM 2022

19/01/2022 às 15h45

Absolar prevê investimentos no setor de cerca de R$ 50,8 bilhões.

 

FONTE: Jornal do Comércio 

17/01/2022

 

O setor fotovoltaico no País se prepara para dar um salto neste ano. Conforme projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), somando os segmentos de gerações distribuída (sistemas em telhados, fachadas de edifícios, terrenos, propriedades rurais e prédios públicos) e centralizada (grandes usinas solares), a fonte passará de cerca de 13 mil MW de potência instalada para quase 25 mil MW). Em geração distribuída é esperado um acréscimo de aproximadamente 17,1 mil MW e de centralizada mais 7,7 mil MW. Também segundo a entidade, a fonte solar deverá gerar mais de 357 mil novos empregos no País, com investimentos privados chegando a R$ 50,8 bilhões em 2022.

A coordenadora estadual da Absolar, Mara Schwengber, ressalta que já durante 2021 verificava-se um aumento da procura devido à perspectiva de ocorrerem mudanças na legislação do setor, com a instituição de um marco regulatório, o que foi oficializado no começo deste ano. A dirigente detalha que a nova norma interfere no payback (tempo de retorno do investimento) dos projetos, esticando esse prazo. Porém, quem encaminhar seu empreendimento solar até o início de janeiro de 2023 terá garantida ainda uma condição mais vantajosa da compensação dos créditos, que serão oriundos da geração fotovoltaica e abatidos na conta de luz da distribuidora, até 2045. "A gente percebe que, principalmente, nos sistemas de maior porte, de comércios e indústrias, têm crescido a procura em função da segurança jurídica (com o marco legal já publicado)", frisa a dirigente. Mara revela que na empresa da qual é proprietária, a Solled Energia, desde setembro aumentou em 150% a sondagem por orçamentos. Para usufruir das melhores condições possíveis de payback, o projeto precisa ter seu parecer homologado na concessionária local antes de janeiro do próximo ano.

Mara informa que algumas simulações, com a nova regra, apontaram seis meses a mais para o retorno de investimento em iniciativas que antes se pagavam em quatro anos e meio. Esse cenário faz com que muitos tentem adiantar suas iniciativas, mas não se trata de um impacto que vá inviabilizar a energia solar no Brasil. Ela destaca também que sempre há uma procura maior por sistemas fotovoltaicos no verão. Porém, mais do que motivada pela perspectiva de uma melhor geração de energia nessa época do ano, a dirigente acredita que o principal fator que propicia essa demanda é a intenção do consumidor em diminuir a conta de luz que sobe com o uso dos aparelhos de ar condicionado. "No verão, se produz mais energia do que no inverno, mas não é em função do calor, o que faz com que se tenha mais produção (fotovoltaica) é porque temos mais horas de sol, o dia é mais comprido", explica Mara. O diretor-geral da Ecosul Energias, Alan Spier, também prevê uma demanda intensa. Ele alerta que o consumidor precisa ficar atento que a instalação de um sistema fotovoltaico não é algo imediato, os projetos levam em torno de três meses para serem implementados e homologados nas concessionárias.

Spier atesta que no verão há um melhor rendimento dos sistemas fotovoltaicos, por contarem com mais luz do dia. No entanto, altas temperaturas podem ser nocivas. "O calor prejudica um pouco, ele sobreaquece a placa, o ideal seria ter várias horas de sol sem uma temperatura tão alta", comenta. Sobre valores, Spier enfatiza que cada projeto tem seu preço, mas, em média, para atender ao consumo residencial de 300 kWh ao mês, o custo de um sistema fotovoltaico estaria por volta de R$ 20 mil.

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