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As engenharias no setor de gás liquefeito e natural

10/09/2021 às 11h00

Insumos têm uso extensivo na sociedade, do espaço doméstico ao industrial. Confira matéria do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Seesp). 

 

As engenharias estão presentes em atividades ligadas a distribuição, instalações e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP) – o popularmente conhecido “gás de cozinha” – e de gás natural (GN) em indústrias, edifícios e residências. O gerente de Instalações Industriais, da área de Engenharia da Copa Energia – grupo que reúne as marcas Copagaz e Liquigás, que respondem juntas por 25% da distribuição do insumo no Brasil –, Elcio Augusto Rocha Sarti, indica que muitas modalidades da área aparecem no desenvolvimento de atividades operacionais com o insumo. As duas marcas juntas, segundo ele, possuem operações em 24 estados e Distrito Federal e cerca de 90 mil colaboradores diretos e indiretos. 

Especificamente com relação à engenharia de petróleo e gás, a professora de petrofísica de reservatório da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Mariléa Gomes dos Santos Ribeiro, explica que a formação dessa mão de obra é focada nas grandes áreas de conhecimento da cadeia de suprimentos de petróleo e gás, dividida em dois grandes segmentos: downstream e upstream. O primeiro relaciona-se, essencialmente, as atividades de transporte, comercialização e refino de petróleo e ainda transporte e comercialização de derivados de petróleo; já o upstream compreende as atividades de exploração e produção de petróleo, onshore ou offshore.   

Para atuar no setor, avalia a professora, esse profissional precisa ter habilidade de administrar e gerenciar a logística de trabalho, as diversas etapas de segurança, os diversos riscos existentes e ter amplo conhecimento do downstream. No caso da cadeia de suprimentos ser dividida em três, tem-se: upstream envolve a produção de petróleo, midstream envolve o processamento de petróleo e o downstream compreende a logística de vendas dos produtos acabados. 

“O petróleo proveniente dos tanques de armazenamento é pré-aquecido e introduzido numa torre de destilação atmosférica”, ensina a docente. Os derivados deste fracionamento são, principalmente, gás, GLP, nafta, gasolina, querosene, óleo diesel e resíduo atmosférico. “O GLP é utilizado em larga escala em diversos tipos de indústrias, além do uso doméstico. Para tal, o insumo precisa ser transportado com segurança até que chegue aos distribuidores e lá ser devidamente envasado para serem comercializados, nos populares “botijões de cozinha”. Nesta rede existem várias etapas para atuação do engenheiro, como, por exemplo, a logística de produção e comercialização; análise de riscos envolvidos em cenários distintos”, relaciona Ribeiro. 

Ramo diversificado

O mercado de gás, atesta o gerente da Copa Energia, se apresenta muito diversificado demandando diversas modalidades da engenharia, como a mecânica e a civil. Ele mesmo é engenheiro mecânico e explica como a sua profissão se insere nessa atividade: “Ela está na elaboração e construção de centrais de GLP e sistemas associados desenvolvendo atividades de cálculos e dimensionamentos e de projetos conceituais e executivos”. O profissional, acrescenta Sarti, também é requisitado na “coordenação de montagens, controle de qualidade, operação de sistemas, gestão de implementação de centrais de GLP em clientes, e ainda no controle operacional de plantas de GLP engarrafado”.   

De forma indireta, prossegue o gerente, os conhecimentos de engenharia são empregados no mercado de gás junto aos fabricantes de equipamentos, peças e materiais utilizados, que de forma específica ou genérica, são largamente utilizados, tais como: trocadores de calor, reguladores de pressão, conexões e tubos de aço e cobre, queimadores etc. Já a engenharia química está presente nas aplicações de desenvolvimento e controle de processo de produção, pesquisa e controle de qualidade associada ao produto gás, seja GLP ou GN, e sistemas de medição e desenvolvimento. “Um aspecto que é fundamental e de grande importância, independente da especialização, é o conceito de segurança de processo ligado a todas as aplicações, onde o engenheiro de segurança tem sua participação destacada”, salienta Sarti. 

Há 27 anos na companhia, Sarti desenvolveu sua carreira sempre ligada a atividades em instalações industriais, o que possibilitou participar do desenvolvimento e transferências de tecnologias nos países Itália, Alemanha e Estados Unidos. Neste momento, declara o engenheiro mecânico, está comprometido com a aspiração de contribuir na concretização de fazer com que a empresa lidere “mudanças da matriz energética, do Brasil para o mundo, a partir de soluções sustentáveis, confiáveis e que tragam resultados sólidos. Vamos construir um amanhã melhor, energizando o Brasil inteiro a partir de uma matriz mais limpa”. 


Gás natural

A engenheira de petróleo Mariana Freitas Argente, formada em 2019, tem 29 anos de idade e três de Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), e já se mostra uma apaixonada pelo setor. “Entrei na companhia como estagiária, em 2018, e fui efetivada no final de 2019. Nesse ramo temos um universo enorme de aprendizado, conhecimento e campos de atuação”, garante. Ela aproveita para indicar aos estudantes e profissionais da área que conheçam a iniciativa de alguns engenheiros de petróleo que criaram o site “Até o último barril”, com muitas dicas e orientações sobre o setor.  

No ramo do gás natural, assevera ela, a engenharia também tem papel relevante e pode estar em diversas posições. Argente percebe uma aproximação maior da profissão na parte de infraestrutura que compreende desde a casa do cliente às tubulações subterrâneas nas vias públicas. Por isso, ela percebe uma demanda considerável por engenheiros civis, de produção, mecânico, químico e até físico. 

Argente gosta de lembrar que sua trajetória foi e tem sido muito dinâmica: “Em tão pouco tempo, já passei por diversas áreas e isso tem me trazido um aprendizado consistente. Já estive em suprimentos de gás (compra e venda), depois tivemos um job rotation [rodízio de tarefas que consiste em agregar outras funções para o mesmo funcionário dentro de uma empresa] e fui para um setor vinculado à inovação de como ligar o gás numa residência com maior eficiência, rapidez e qualidade. Já efetivada, passei por outras áreas. Fui engenheira de ligação de casa responsável pela região sudoeste da cidade de São Paulo.” 

Hoje, ela está à frente de uma equipe na área comercial chamada “Quero ser cliente”. “Realmente, passei, em pouco tempo, por mudanças de carreira e de planejamento. A formação na engenharia nos possibilita essa atuação diversificada, sempre levando nossos conhecimentos técnicos, o raciocínio analítico e aptos a enfrentar desafios e pensar soluções”, descreve, entusiasmada. Por isso, ela consegue prestar informação mais apurada e técnica para o consumidor final sobre o serviço, a qualidade, a eficácia e a segurança. Ela lembra inclusive que, em função anterior como engenheira de ligação, um cliente pediu para que ela explicasse o processo da produção do gás natural até a distribuição, “tenho certeza de que ali ele conseguiu ficar mais seguro quanto ao serviço que estava adquirindo”. 

Argente diz que a venda é feita com uma vistoria prévia no imóvel, quando se define, junto ao cliente, toda a parte técnica. Ela descreve o processo de inovação, nesse caso: “Antes fazíamos apenas uma venda, hoje fazemos a venda com a parte técnica já incluída. Substituímos um processo de cinco etapas – venda/vistoria/execução de tubulação interna/tubulação externa (ramal)/ligação do cliente – pelo de duas fases, venda/vistoria e execução/ligação. A nova sistemática criou um fluxo mais rápido entre a venda e a ligação final, o que poderia levar até 90 dias, hoje não ultrapassa três dias.” 


Mercado e tecnologias

Sarti informa que o mercado do gás exige boa especificidade, mas com muitas possibilidades de desenvolvimento. “É um produto de larga aplicabilidade em todos os processos industriais, seja como elemento combustível de larga aplicação e baixo impacto ambiental para movimentações de veículos e geração de calor, ou como elemento de expansão na produção de poliestireno expandido e plástico, e ainda como propelente para sprays”, descreve o gerente da Copa Energia. 

Além disso, ele observa que o maior mercado de GLP está no uso doméstico, desde a cocção (cozimento) à geração de conforto como aquecimento de água e ambientes. “A participação da engenharia é fundamental no desenvolvimento de plantas de engarrafamento, fabricação de reservatórios de estocagem, sistemas de transporte e outros”, aponta. 

Por se tratar de um energético com largo espectro de utilização, mesmo sendo uma commodity, o GLP, observa Sarti, está associado a “novas tecnologias em equipamentos, materiais, sistemas de segurança e monitoramento”. Ou seja, é um setor em constante evolução, por isso o gerente indica aos profissionais de engenharia que se mantenham atentos aos conhecimentos e aprendizados. “Estar atualizado com novas ideias, regulamentações, tendências e tecnologias ajuda muito o profissional do gás a estar bem-posicionado para aproveitar adequadamente as oportunidades com relação às alternativas oferecidas”, aconselha. 

É neste cenário que a atuação do engenheiro especializado em petróleo e gás, ou formado em outras modalidades, “se apresenta com importância, estudando e planejando cenários onde a distribuição energética das alternativas tenha suas aplicabilidades bem ajustadas de forma a se obter a maximização dos usos e eficiências, contribuindo assim para um desenvolvimento social futuro mais sustentável”. 

  

GLP: uso e números 

O GLP pode ser utilizado doméstica e industrialmente e responde por 3,1% da matriz energética nacional, menos que a lenha e o gás natural e muitíssimo menos que o óleo diesel e a eletricidade. As informações constam do panorama do mercado de GLP, organizado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás) e divulgado em julho último: 91% das famílias brasileiras utilizam o gás de botijão para cozinhar; 100% dos municípios brasileiros estão atendidos; 53,1282 milhões de botijões de até 13 kg são vendidos mensalmente; 7,511 milhões de toneladas comercializadas (botijões e granel). Ainda segundo a mesma pesquisa, o setor, que congrega 20 distribuidoras autorizadas na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), é responsável por 380 mil empregos diretos e indiretos.  

  

Gás natural: crescimento

Conforme o Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2020, divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de gás natural teve acréscimo de 9,5%, no seu décimo ano consecutivo de aumento, e atingiu 123 milhões de m3/dia. A produção de gás natural no pré-sal também segue aumentando sua participação e correspondeu a 57,9% do total nacional. A Comgás, informa a engenheira Argente, é uma concessão pública que vem criando uma estrutura de rede de tubulação e distribuição de gás natural em diversas regiões do Estado de São Paulo. 

  

  

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