ARTIGO | Receituário Agronômico é coisa séria.

01/07/2020 às 15h30

A prescrição de agrotóxicos antes de tudo deve ser respaldada pelo rigor da formação profissional. Leia artigo do engenheiro agrônomo Francisco Lira, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Piauí e diretor da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil.v

É fato que o Brasil tem vivido nos últimos anos intenso debate político ideológico sem conseguir emplacar uma agenda de estado de médio e longo prazo, entretanto a questão dos agrotóxicos vem há muitas décadas  sendo debatido como um dos temas mais delicados pela classe agronômica brasileira. Na década de 1980 como bandeira para disciplinar seu uso no país Engenheiros Agrônomos através de mobilização nacional com apoio de sua entidade nacional conseguiram aprovação de importante marco disciplinar para os agrotóxicos através da lei 7.802/1989.

Entretanto nos últimos anos ficou evidente avanço irresponsável da liberação da prescrição por agentes sem a devida formação, além do menor rigor no controle e fiscalização desses produtos colocando em risco toda a sociedade e o meio ambiente.

Se por um lado é inegável a participação desses insumos na produção agropecuária brasileira por outro é imprescindível que a recomendação de tais produtos seja feita por profissional com sólido arcabouçou cientifico em química agrícola, fisiologia vegetal, experimentação agrícola, meteorologia e climatologia, microbiologia, entomologia geral e agrícola, além de profundo conhecimento em solo e água e sua interação com componentes ambiental e climatológico e não como observa-se atualmente onde que para se atender a determinados movimentos políticos promove-se a aprovação de leis ou decretos dando a X ou Y o ‘’direito’’ a prescrever o uso  de agrotóxicos, colocando em risco a conservação e qualidade dos recursos naturais a saúde da sociedade.

A prescrição de agrotóxicos antes de tudo deve ser respaldado pelo rigor da formação profissional assim como se aplica a médicos ou médicos veterinários, pois assim como Engenheiros Agrônomos tiveram sua formação baseada em solida formação científica, sendo no caso dos profissionais de agronomia na média sua formação com carga horária em torno de 4.200 horas.

O que vimos recentemente no estado do Mato Grosso com a rápida aprovação da lei estadual Nº 11.108/2020, capitaneado por um deputado estadual e aprovado pela assembleia e mais rápida ainda sancionado pelo senhor governador do estado, mostra o total desprezo pela ciência e os riscos que toda sociedade é exposta por decisões baseadas em acordos políticos, que desprezam a ciência e favorecem a banalização da prescrição e uso de agrotóxicos.

Francisco Lira
Engenheiro Agrônomo
CREA-PI 18.222
Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Piauí AEAPI

Diretor de Política Profissional da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil CONFAEAB

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