Testes e vacinas em debate no podcast do Confea

22/05/2020 às 13h03

A contribuição de trabalhos científicos para desenvolvimento de vacinas e testes contra o novo coronavírus é o centro do debate do podcast, que tem a participação da engenheira química e professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Iara Rebouças Pinheiro, falando sobre o protagonismo de estudos acadêmicos no enfrentamento à pandemia da Covid-19.  

 “Há inúmeras redes de pesquisa nas universidades e as Engenharias estão mobilizadas na modelagem de dados e têm trabalhado em parceria com matemáticos e geógrafos, por exemplo, para identificar a dinâmica da doença, a fim de auxiliar os governos estaduais na tomada de decisão”, comenta a doutora em produção de antibióticos, engenheira química e professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Iara Rebouças Pinheiro, em podcast produzido pelo Confea.

Iara pontua a importância de se combinar métodos científicos para alcançar previsões mais precisas neste cenário de crise sanitária. “Por isso é tão importante que agências de fomento e o governo incentivem financeiramente a pesquisa acadêmica”, defende.

Sobre imunização contra o Sars-CoV-2, a engenheira lembra que os cientistas já vinham estudando vacinas de combate a gripe e outras doenças que atacam pulmões, além de terem realizado experimentos a partir do surto da gripe aviária no início dos anos 2000. Com isso, explica Iara, alguns métodos puderam ser aplicados agora, apesar de os vírus serem diferentes. Para ela, os estudos anteriores estão contribuindo para dar celeridade na produção da vacina contra o novo coronavírus. 

“Desde a descoberta de uma doença ou de nova molécula com ação antibiótica ou antiviral até o medicamento ou vacina chegar às prateleiras das farmácias leva-se dez anos, em média. Mas nos últimos anos a tecnologia e os equipamentos de ponta desenvolvidos, em especial pela Engenharia, viabilizam a aceleração desse processo”, explica a profissional que já atuou em produção de medicamentos no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). 

Iara chama atenção para a etapa seguinte do processo: a testagem da vacina que, segundo ela, precisa ser executada com cautela. “Há protocolos de testes em humanos que demandam tempo para se observar os efeitos colaterais e o percentual de cura. Conseguimos acelerar a produção da vacina; mas não os testes, que precisam ser comprovados”, alerta.

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Máscaras caseiras mais eficientes

Em parceria com outros profissionais, a engenheira química Iara vem estudando a aplicação de nanocelulose em tecidos de máscaras caseiras. Combinadas à fibra do tecido de algodão, por exemplo, as minúsculas partículas de matéria vegetal permitem aumentar a proteção contra o vírus. “É uma possibilidade de melhorar a filtração dessas máscaras usuais, deixando a máscara N95, a mais eficiente, para uso dos profissionais da saúde”, detalha a pesquisadora que atualmente aguarda aprovação de recursos financeiros para materialização do projeto, que está para análise de uma agência de fomento do Espírito Santo. 

“Essas máscara caseiras têm eficiência entre 70% e 85%. Podemos melhorar isso a baixo custo para que elas sejam instrumento acessível e uma vestimenta nesta nova realidade”, acrescenta, destacando os vários equipamentos de combate à covid-19, como os respiradores mecânicos, que têm sido elaborados por outros profissionais da Engenharia. “Temos engenheiros excelentes no Brasil. Precisamos somente que o governo nos dê suporte para desenvolvermos tecnologia brasileira em todas as áreas”, conclui a especialista que ocupou o cargo de conselheira no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), entre 2017 e 2019.

 

Julianna Curado
Equipe de Comunicação do Confea

 

 

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