ARTIGO | COVID-19: CIÊNCIA, TECNOLOGIA E AS OPORTUNIDADES

20/05/2020 às 10h04

"Temos uma oportunidade única de minimizar erros e potencializar o futuro", afirma o diretor do SENGE João Leal Vivian em artigo publicado em Zero Hora dessa quarta-feira (20). 

A covid-19 é um desafio que afeta a todos. Neste cenário, lembro de um colega da Cientec que dizia: "O silêncio dos laboratórios tem que atender ao ruído das ruas e dos campos. Calar o plantio do conhecimento é condenar ao fracasso a colheita do progresso social e econômico".

Como técnicos da extinta fundação, não temos todas as respostas. Mas podemos afirmar que poderíamos estar contribuindo com a produção de álcool 70% ao destilarmos bebidas apreendidas, bem como realizar testes de tecidos, papel filtro e outros produtos para a fabricação de máscaras. Ensaios avançados de certificação de respiradores? Sim. Testes de detecção de vírus e pesquisas com drogas? Possivelmente sim!

É difícil precisar os limites de uma instituição paralisada. No entanto, afirmo que o patrimônio científico do Estado, produzido nos últimos 77 anos através da capacidade intelectual de gerações de técnicos, pode ser imediatamente resgatado para vencermos essa "guerra".

Em 2019 apresentamos ao governo do Estado o projeto "Aproveitamento das estruturas das fundações e serviços de interesse do Estado pela Uergs". Um ano depois, o momento de pandemia, no qual diversas instituições públicas estão demonstrando seu potencial, fortalece a defesa dessa audaciosa proposta, em que indicamos tecnicamente a potencialização e aperfeiçoamento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, com o aproveitamento do patrimônio público, material e imaterial, das fundações do Estado pela Uergs. A hora é agora.

A percepção que fica a cada dia perdido pelos gestores em oferecer essa oportunidade para uma instituição pública potencializar sua atividade-fim configura um grave, crescente e quase irreversível retrocesso, que causará danos em toda a sociedade gaúcha. Por trás da ciência existem grandes resultados intangíveis. Nela, o tempo pode ser medido em anos e não em segundos, como o é na tecnologia, sendo que tais resultados serão potencializados em momentos complicados, como este em que vivemos.

Desejamos desacelerar na importância da discussão sobre a ciência ou continuaremos debatendo indústria 4.0, economia do compartilhamento, tecnologia? Ou seria mais prudente retomarmos alguns conceitos e talvez pensarmos esses conceitos com sinergia, sem reduzirmos a discussão a uma mera equação "receita x despesa", mas sim colhendo frutos de subvenções econômicas e resultados intangíveis? A Uergs precisa de uma chance. Temos uma oportunidade única de minimizar erros e potencializar o futuro.

* Por: JOÃO LEAL VIVIAN - Engenheiro civil, diretor de Negociações Coletivas do SENGE-RS,pesquisador do Quadro em Extinção da Cientec

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