VIADUTO DOS AÇORIANOS: Engenheiro questiona desvios e defende planos preventivos permanentes

18/05/2020 às 17h00

O engenheiro Felipe Sousa,especialista em sistemas de transporte e mobilidade, defende medidas alternativas às apresentadas pela Prefeitura de Porto Alegre e faz um alerta sobre as condições de boa parte das infraestruturas urbanas brasileiras.

Foto:Jefferson Bernardes/PMPA

Quem circula pelas ruas de Porto Alegre tem um novo e grande problema a enfrentar desde o dia 10 de maio. Nesta data, a Prefeitura da Capital interditou a circulação de veículos de qualquer porte ou em qualquer sentido sobre o Viaduto dos Açorianos, um dos mais movimentados da cidade por ligar a Zona Sul ao Centro Histórico.

Para adotar a medida, o prefeito Nelson Marchezan Junior citou “questões de segurança” e “graves anormalidades no encontro sul”, conforme o site da própria PMPA. Para solução dos problemas serão realizadas “futuramente” obras de recuperação estrutural dos encontros do viaduto inaugurado há 47anos e cuja última inspeção havia ocorrido há dez cerca de anos.

A priorização da obra foi identificada a partir de um programa de inspeções nos viadutos e pontes da Capital, criado pela prefeitura. Após uma vistoria realizada por técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (SMIM) foi contratada uma empresa para execução do projeto de recuperação estrutural. Em nova análise feita em 07 de maio, técnicos do município e da empresa concluíram pela necessidade da imediata interdição.

Em tempos de pandemia e de redução do fluxo de veículos, o bloqueio das duas pistas e as alterações no trânsito provocadas pela medida ainda não foram testadas de forma definitiva. No entanto, técnicos em transportes e em mobilidade questionam a solução encontrada para os desvios do tráfego.

Para o engenheiro Felipe de Sousa, especialista do setor, as alternativas poderiam ser menos traumáticas, tanto para os condutores de automóveis e ônibus quanto, principalmente, para os usuários do transporte público.

“No meu ponto de vista o desvio do tráfego realizado ficou ruim por aumentar o tempo de viagem e os transtornos tanto para a operação quanto para passageiros e para a população do entorno, como o tráfego nas ruas Fernando Machado e Demétrio Ribeiro”. Felipe defende que o tráfego deveria ter sido desviado pela lateral do viaduto usando as alças laterais, através da abertura do canteiro da Primeira Perimetral e implantação de semáforos temporários para travessia direta, até a conclusão da manutenção.

Falando de viadutos e pontes, Felipe Sousa alerta que boa parte das infraestruturas urbanas brasileiras possuem idade avançada (40-60 anos), sendo que a maioria das prefeituras e órgãos rodoviários estaduais não possuem planos constantes preventivos ou preditivos de acompanhamento. O engenheiro defende a necessidade de vistorias periódicas “pelo menos a cada seis meses” com o devido acompanhamento de parâmetros técnicos das condições dessas estruturas.

Em sua atuação profissional, Sousa acompanhou a vistoria de 52 pontes e viadutos rodoviários do RS. Destes, 25 apresentavam problemas estruturais importantes que demandavam significativos trabalhos de manutenção. A eventual lacuna nestes processos, lembra ele, acarreta situações como a queda ponte de Agudo em 2010 e do viaduto da Marginal Pinheiros, em São Paulo, no ano passado, entre outros.

Porto Alegre não é diferente. O caso de interdição do Viaduto dos Açorianos é um exemplo típico. Uma estrutura projetada para um volume de tráfego muito menor do que o atual. Hoje, “nada menos que 40% da frota de ônibus pesados da cidade passam por ele diariamente. Para se ter uma ideia somente um eixo simples de ônibus equivale a passagem de 2500 automóveis numa estrutura dessas”.

 

Desvios:

Fonte e ilustração: PMPA 

 

 

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