Boom imobiliário atrai investimentos ao Estado

09/08/2010 às 00h00

A criação de novas unidades fabris e ampliação das já existentes são a tônica dos novos movimentos do setor, demonstradas com otimismo na 13ª Construsul - Feira Internacional da Construção, encerrada no último sábado, em Porto Alegre.

Por Mayara Bacelar
Jornal do Comércio 06/08/2010

O aquecimento do mercado imobiliário tem demandado um volume maior de empreendimentos, profissionais e, principalmente, possibilitado um número maior de investimentos por parte das companhias voltadas à construção civil.

A criação de novas unidades fabris e ampliação das já existentes são a tônica dos novos movimentos do setor, demonstradas com otimismo na 13ª Construsul - Feira Internacional da Construção, encerrada sábado, na Fiergs, em Porto Alegre. A expectativa de alcançar R$ 250 milhões em negócios durante o evento é um indicador que ajuda a comprovar essa tendência.

A receptividade do mercado gaúcho tem atraído investidores de outros estados, que veem o local como destino certo para os recursos. Os investimentos em novas plantas industriais e em infraestrutura previstos para ocorrer no Rio Grande do Sul, assim como a demanda de projetos habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, fizeram com que a SH focasse sua atenção no Estado para instalar uma nova unidade.

Na terça-feira a fornecedora de formas de concreto, andaimes e escoramentos metálicos inaugurou sua primeira base em solo gaúcho - a 12ª no País -, no Distrito Industrial de Cachoeirinha. "O setor de construção civil está aquecido e precisávamos estar mais próximos de nossos clientes, entendendo melhor as particularidades regionais", diz o gerente da unidade de Cachoeirinha, Cleverson Sabatke. "O Estado vai crescer muito e estamos de olho nisso", completa.

Na Construsul, um dos carroschefes da SH é a linha Lumiform, um sistema de formas para paredes de concreto composto por painéis, fabricado com perfis especiais de alumínio e forrados com placas de alumínio. "Essa é uma solução que dá mais agilidade à construção dos empreendimentos residenciais", aponta o diretor comercial Wolney Henriques do Amaral.

A Criciúma Construções, que já possui dois empreendimentos na Região Metropolitana da Capital, em Canoas e Gravataí, tem em seus planos uma ação mais incisiva no Rio Grande do Sul. O presidente da empresa, Rogério Cizeski, revela que nos próximos dois anos um volume superior a R$ 50 milhões será destinado a obras em municípios gaúchos. "Em um primeiro momento, ficamos com o pé atrás por ser um mercado desconhecido, mas a receptividade foi muito boa, tanto entre imobiliárias quanto dos compradores", relata.

Cizeski adianta que um dos focos da construtora é atuar em cidade com mais de 300 mil habitantes, e que os novos projetos devem contemplar Caxias do Sul, Novo Hamburgo, Cachoeirinha e outras cidades, em movimento que deve ser iniciado ainda este ano.

As boas condições do setor permitem, ainda, que as fábricas prospectem novos negócios e mercados. Um exemplo disso é a Construrohr, que atua com cerâmicas e concretos. No último ano, foi duplicada a capacidade com a ampliação da unidade produtiva, localizada em Bom Princípio. "Hoje, temos a capacidade de produzir 400 toneladas por dia, e estamos operando a 300 toneladas por dia", diz o engenheiro-consultor da companhia, Jakob Hernique Husch.

Também com matriz em Bom Princípio, a Cerâmicas Kaspary inaugura até novembro a nova unidade produtiva, que será sediada em Portão. Com a abertura da fábrica, o objetivo é aumentar o mix de cerâmicas e concretos. O gerente da empresa, Clóvis Kaspary, destaca que com o projeto a produção deve duplicar, alcançando a marca de 200 mil peças diárias.

Equipamentos pesados ganham espaço em eventos

Paralelamente à 13ª Construsul, ocorre a 5ª ExpoMáquinas - Feira de Máquinas e Equipamentos para Construção, que neste ano duplicou o número de estandes, passando para 46 expositores. O crescimento reflete a maior demanda por equipamentos, impulsionada pelo atual volume de obras que ocorrem em todo o País.

Apontando como principal fator juntamente o bom momento vivido pelo setor, o coordenador de vendas da Linck Máquinas, Clairton Luis Pesente, acredita em um resultado positivo até sábado, quando se encerra o evento, com alto volume de pedidos.

A empresa está em sua terceira participação na ExpoMáquinas e tem como meta repetir o desempenho da edição passada. "Ano passado superamos em 100% o volume de vendas em relação a 2008, e esperamos dobrar de novo", afirma. Segundo Pesente, as grandes estrelas da feira são as miniescavadeiras, que pesam entre 2,7 toneladas e 8,8 toneladas e são bastante utilizadas em obras de saneamento. Depois de participar das outras edições como visitantes, a Bristol apresenta suas máquinas pela primeira vez na ExpoMáquinas.

De acordo com a vendedora Lucia Bittencourt, o ritmo de público e de negócios fechados está surpreendendo a companhia. "Apesar de ser nosso primeiro ano, o movimento é muito grande", confessa.

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