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ARTIGO: ENERGIA EÓLICA COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO E O PARQUE DO PONTAL

Vários fatores corroboram para o potencial de crescimento da cadeia produtiva de energia eólica no Rio Grande do Sul. A análise é da diretora e integrante do Conselho Técnico Consultivo do SENGE, Dra. Jussara Mattuella*, que nesta sexta-feira (11) esteve representando o SENGE na inauguração do Complexo Eólico Pontal da Enerplan em Viamão/RS. Em artigo assinado em conjunto com a chefe de Departamento da Engenharia Mecânica UFRGS, Dra. Adriane Prisco Petry*, as pesquisadoras analisam o setor e falam sobre a importância da engenharia nacional na viabilização do futuro do setor elétrico com sustentabilidade.

Complexo Eólico Pontal, em Viamão / Foto: Divulgação

A participação da geração eólica na geração total mundial, que era praticamente nula em 1980, em 2015 já atingia 3,5%. Atualmente a capacidade instalada mundial da fonte chega a 487.000 MW. Os Países que detém maior capacidade instalada acumulada são China (168.000 MW), USA (82.000 MW), Alemanha (50GW), segundo dados Global Wind Energy Council, 2017. O Brasil, que em 2004, apontava uma capacidade instalada de 27,1 MW, com a abertura do mercado para geração de grande porte (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas) ocupa, atualmente, a nona posição mundial, com 10.032 MW implantados em 451 parques e responde por 7,13% da geração. Acrescem-se ainda mais 6.250 MW em construção, segundo dados da Agencia Nacional de Energia Elétrica.

O potencial Brasileiro para Energias Renováveis destaca-se, cada vez mais, mundialmente. O Atlas Eólico Brasileiro de 2001 atestou um potencial equivalente a 143.000 MW a 50 metros de altura. Atualmente, vislumbra-se um potencial na ordem de 500.000 MW, para 100 m de altura, ou seja, o triplo da capacidade instalada atualmente, em todas as fontes no país. O fator de capacidade (FC), relação entre a geração e a potência instalada dos empreendimentos geradores de energia eólica, no Brasil chega a mais de 40% e supera em, aproximadamente, 50% o dado médio mundial.

O potencial eólico do Rio Grande do Sul, em terra firme (onshore), a 100 m de altura, totaliza 103.000 MW, enquanto que a 150 m chega a 245.000 MW. Atualmente, é o quarto Estado gerador e abriga, aproximadamente, 1.700 MW em operação.

O nosso estado acresce-se também de outros fatores que juntos o remetem a uma posição de destaque nacional, tais como o potencial de crescimento da cadeia produtiva de energia eólica e a qualidade da pesquisa na fonte, aqui desenvolvida em Laboratórios e Universidades, os quais representam fortes suportes como agentes propulsores de atração de investimentos.

O Modelo do Setor Elétrico, recentemente em consulta pública, propõe medidas para a viabilização do futuro do setor elétrico com sustentabilidade e avança as possibilidades de contrações da fonte, aproximando-a, cada vez mais do consumidor. A defesa da liberdade de escolha da geração de energia por parte do consumidor é fundamental, a exemplo do que acontece nos países da União Europeia, EUA e na própria América Latina. Para tanto, a fonte eólica se insere naturalmente, viabilizando a sua implantação em diferentes proporções e modelos.

Após um período sem contratações, estão previstos dois leilões, A-4 e A-6 ainda em dezembro desse ano, o que sinaliza a retomada dos investimentos em geração no país.

Em que pese os desafios da energia eólica, tanto conjeturais como sazonais no tocante à demanda e transmissão, o Complexo Eólico do Pontal, no município de Viamão, que acresce 59,8 MW de geração eólica ao RS, com a operação de 25 aerogeradores de 2,7 MW representa o mais recente exemplo das possibilidades de realização da energia eólica no estado. Situado nas margens da Lagoa dos Patos, o referido projeto tem previsão de receber a instalação de 128 aerogeradores. Merece destaque que além das vantagens ambientais, a energia eólica agrega outros, de cunho social, que repercutem em desenvolvimento, como geração de riqueza e empregos diretos e indiretos.

Tudo isto só é possível de ser feito no Brasil com a participação da rica engenharia nacional, hoje já apropriada com o know how para expansão da fonte.

 

*Engª Jussara Mattuella, Dra,
Consultora e Pesquisadora em Energia Eólica

*Profª Adriane Prisco Petry, Dra
Chefe de Departamento da Engenharia Mecânica UFRGS

 

 

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