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PORTO ALEGRE PRECISA DE PLANEJAMENTO E DIÁLOGO AO INVÉS DE TRUCULÊNCIA E OBSCURANTISMO

Porto Alegre está doente. E o pior, é que o quadro, que já é delicado, continua se agravando. Desestruturação dos serviços públicos como coleta de lixo, conservação de vias e transporte urbano, crescimento sem precedentes na população de rua, insegurança, precarização do atendimento em saúde, saneamento e educação, compõem a parte visível de um cenário que já beira a calamidade. Para o prefeito Nelson Marchezan e seus apoiadores na Câmara, a responsabilidade por este estado de coisas parece ser uma só: o servidor municipal. Para o Sindicato dos Engenheiros, é a falta de um planejamento de longo prazo, a falta de clareza nas propostas e a falta de diálogo com o qualificado corpo técnico de todas as áreas da prefeitura.

Foto: Maia Rubim/Sul21

O estilo de Marchezan, já impregnado na sua base de sustentação na Câmara Municipal, é bastante conhecido: a truculência e a incapacidade de articulação. Ao contrário do que afirmou quando da campanha das eleições passadas, o prefeito evita a discussão, a análise e o ordenamento de projetos a partir do trabalho dos servidores. Tenta, ao contrário, fazer com que as propostas por ele apresentadas, a maioria obscuras e que precisariam ser intensamente discutidas, sejam engolidas pelos Municipários e pela coletividade.

Ainda em campanha, Marchezan Jr conheceu no SENGE a Pauta Mínima para as Administrações Municipais, documento apartidário distribuído pelo Sindicato a todos os partidos. No texto, apresentamos propostas claras para o desenvolvimento urbano e social da Capital, todas amparadas pela necessidade de um Plano de Estado que viesse a superar o imobilismo, resultante da descontinuidade de programas e projetos que, muitas vezes, decorrem exclusivamente da alternância política. Isso só reforça nossa tese de que programas e projetos devem ser de “Estado”, no interesse da sociedade e não de governos, que são transitórios. Ignorando nossas proposições e assumindo um enfrentamento direto com o conjunto de servidores e suas entidades representativas, o prefeito encaminha à Câmara projetos que ora afrontam as carreiras e a aposentadoria dos servidores, ora carecem de clareza e objetividade, dando margem a interpretações distorcidas a partir de objetivos nebulosos. Marchezan parece esquecer o papel de todo o prefeito que é o de integrar os diversos segmentos da municipalidade na busca por melhorias.

Hoje, Porto Alegre está estagnada e tende à inócua asfixia política e administrativa, na qual o diálogo e o planejamento dão lugar à radicalização e à polarização de ideias. Autoritarismo, violência contra servidores e obstrução forçada do funcionamento da Câmara Municipal como se viu nos recentes episódios registrados na semana passada e que culminaram com a agressão truculenta que um servidor municipal teria sofrido por parte de um vereador são, ao mesmo tempo, práticas deploráveis, improdutivas e antidemocráticas, pelas quais, é obvio, não encontraremos soluções.

 

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