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“A Petrobrás permanece sendo a maior empresa do país”, afirma o engenheiro Ricardo Maranhão.

Ex-funcionário concursado da Petrobrás, o engenheiro Ricardo Maranhão participou nessa quinta-feira do Seminiário Tecnologia, Inovação e Soberania. Em sua palestra, o profissional defendeu o fortalecimento da empresa pública: “É preciso separar o CPF do CNPJ”.

Fotos: João Alves

Especialista em Engenharia de Petróleo, o engenheiro Ricardo Maranhão ingressou na Petrobrás por meio de concurso público em 1970. Lá, ocupou diversos cargos: chefe de setor, chefe de divisão, chefe adjunto e chefe de obras, assistente da superintendência do serviço de engenharia e assessor da Presidência. Devido à experiência técnica de longos anos na estatal, tornou-se profissional referenciado quando o assunto é a Petrobrás, o petróleo e o futuro do Brasil diante dos escândalos que abalaram o setor.

Uma das personalidades mais aguardadas no Seminário Tecnologia, Inovação e Soberania, Maranhão falou com tranquilidade sobre os assuntos que domina diante de uma plateia formada por centenas de profissionais e estudantes. Na palestra, intitulada “O Petróleo, a Petrobrás, a Tecnologia e a Soberania Nacional”, o engenheiro, que também e deputado, iniciou sua fala contextualizando o petróleo no Brasil e no mundo, historicamente alvo de disputas e motivos de conflitos. “O gás, o petróleo e o óleo estão no centro de todos os grandes conflitos.”

Em nível nacional, entretanto, a maior empresa do país enfrenta o colapso de imagem provocado pelo escândalo de corrupção envolvendo a alta cúpula da empresa e políticos. Ao comentar sobre o assunto, Maranhão afirmou que a frase, muito propagada, ‘a Petrobrás está quebrada’, é, na verdade, uma falácia. “A Petrobrás permanece sendo a maior empresa do país, uma empresa sólida, e os fatos comprovam. A Petrobrás tem 25 bilhões de dólares em caixa, em 2015, recebeu pela terceira vez o prêmio concedido pela Offshore Technology Conference (OTC) de maior empresa extratora – ela bateu recordes nos últimos 13 meses. “A Petrobrás tem números extraordinários. Mas a mídia oligopolizada insiste no discurso de que a empresa está quebrada. E não há democracia verdadeira sem sociedade esclarecida e bem informada”, disse.

Então, por que esse discurso? Porque, eles dizem, é preciso vender ativos. O atual presidente da Petrobrás já afirmou que “o único dogma é que a Petrobrás não pode ser privatizada”. Depois de ter dado essa declaração, ele surge com um plano de investimento com venda de ativos, vendendo a participação da Petrobras na petroquímica, no etanol, no biodiesel, vendendo campos de petróleo em alta produção. Fez alianças estratégicas com empresas norueguesas. No campo de Lapa, onde a produção chegou a 40 mil barris de petróleo ao dia e ele está entregando este, que é o primeiro posto, e chamando isso de parceria estratégica. Para mim, isso não é estratégico; isso é alta de patriotismo e entreguismo”, afirmou o engenheiro, arrancando aplausos da sua audiência.

Ao comentar sobre a Operação Lava-Jato, Maranhão foi explícito ao se posicionar a favor as investigações: “Aquilo foi um conluio de delinquentes internos com políticos inescrupulosos. O que ocorreu é inaceitável”, afirmou. No entanto, ele ressalta, a prática de crimes não é uma regra comum aos trabalhadores da empresa, nem deve ser utilizada como argumento para o desmonte do patrimônio público. “Posso garantir a vocês que os trabalhadores da Petrobrás são pessoas honradas e dignas.

Além disso, a falta de transparência na venda dos ativos, segundo ele, praticada a preços vis, também deve merecer a atenção da sociedade. Segundo o engenheiro, é preciso despertar para a realidade de que a corrupção não é exclusividade de empresas públicas. “Vejam o que ocorreu com a Samarco, a Oi, o Galeão, o Maracanã”, lembrou. “A Lava-Jato é a manifestação de que precisamos encontrar soluções para acabar com esse loteamento de cargos nas empresas públicas”, afirmou.

Fotos: João Alves

 

Assista a a palestra

 

Confira aqui o material da palestra (pdf)

 

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